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“Federer não entraria na minha equipa”

Vitoriano como bom vimaranense que se preze, foi no relvado da Luz, junto de Pizzi, que João Sousa protagonizou uma das ações promocionais do Millennium Estoril Open, do qual é campeão em título. «Foi uma experiência gira, junto de um grande jogador e num estádio tão emblemático para Portugal», comentou o número um português das raquetas que, como é sabido, também não se desajeita com a bola no pé, dado ter conciliado ténis e futebol, primeiro nos Dragões Sandinenses, depois no seu Vitória, até rumar a Barcelona para crescer na modalidade em que tem escrito páginas de história.

Por isso, não virou a cara ao desafio que a A BOLA lhe lançou de escolher um plantel de futebol feito de tenistas, à semelhança de Dominic Thiem, austríaco que criou com seus pares uma equipa. «Em primeiro lugar, punha o John Isner à baliza, é grande», indicou o técnico Sousa sobre o norte-americano de dois metros. «Depois tinha de escolher uns rápidos. O Fabio Fognini [segundo cabeça de série no Estoril, salvo se a mazela que o afastou de Barcelona persistir] seria extremo e o Rafa [Nadal] ficaria mais à frente. Ele tem jeito, já joguei com ele e é bom. O Thiem é melhor no meio campo e ficaria com o Diego Schwartzman, são amigos e têm um bom pé», prosseguiu com douta sabedoria e boa disposição. «Na defesa teria de escolher uns troncos, com cara de maus e que dessem porrada. Talvez o Márton Fucsovics, que é forte, ou um sérvio. Não, o Novak Djokovic[n.º 1] ficaria de fora da equipa, tal como o Federer que é demasiado bom para entrar na minha equipa. Escolhia antes o Carreño Busta e o Leonardo Mayer, que são meus amigos», aludiu o n.º 50 mundial, referindo-se ao espanhol campeão de 2017 e o argentino parceiro de duplas com quem chegou às meias-finais há um ano. Sousa, porém, não ficaria no banco da equipa técnica. «Também jogaria, seria ponta esquerda», rematou.

Não corre o risco de defrontar parte desse plantel a partir de terça-feira, dia em que está previsto a sua estreia na terra batida do Clube de Ténis do Estoril. Mas as emoções vividas naquele estádio já ninguém lhas tira. «Até parece mentira que já passou um ano. Visitei o clube há umas semanas e, embora o campo não estivesse todo preparado, é sempre um court que me traz boas memórias. A entrada é a mesma e, apesar do estádio estar na altura ainda em construção, trouxe-me memórias de quando estava cheio de gente a apoiar-me. Voltei a sentir as boas sensações e foi especial», salientou João Sousa que hoje já estará de volta à sua terra prometida para o primeiro treino.

Passada a euforia, o tenista de 30 anos chegou à 4.ª ronda do US Open, o derradeiro Grand Slam da temporada, fez meias-finais em Chendgu e, este ano, brilhou nos pares do Open da Austrália, no qual só foi travado nas semifinais ao lado de Mayer. «Penso que a época tem corrido bem, é claro que pode sempre correr melhor. Sinto que tenho evoluído bastante, infelizmente os resultados não têm acompanhado o nível de jogo que tenho exibido. Estou tranquilo, os bons resultados vão surgir», confiou, sem admitir pressões, muito menos nesta semana.

«É sempre um torneio especial, mais ainda por tê-lo vencido, mas preciso encará-lo de forma natural, sem sentir pressão extra. Não creio que tenha de provar algo só porque o ano passado ganhei. Simplesmente vou jogar como faço sempre: para ganhar! De resto é mais um torneio do meu calendário, especial sim por ser em casa, por ser em Portugal», ressalvou.
«Sei que tenho muitas pessoas que, o ano passado, puxaram por mim e ajudaram a que vencesse em casa, algo que ambicionava. Era um sonho desde criança. Este ano é mais um ano. Gostaria muito que me viessem apoiar de novo. Sei que estão esgotados os bilhetes para as meias-finais e final. Oxalá esteja, pelo menos, um português nessas fases, de forma a voltarmos a ter um excelente torneio», rematou.