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A culpa e sempre o calendário.

A culpa e sempre o calendário.

No final do jogo com o Coritiba (derrota por 0-1), Abel Ferreira apelou à discussão em torno da sobrecarga de jogos no Brasil.

«Isto não existe em lado nenhum, vou ter de ser muito crítico. Temos de aprender com os bons exemplos. É preciso sentarmo-nos e refletir, porque depois questionam as equipas que vão ao Mundial e não estão preparadas. Aqui é extremamente competitivo. Agora percebo porque os treinadores duram dois ou três meses. Se não ganham trocam de treinador», começou por dizer, apontando:

«Faço um desafio, para colocarmos as mãos na consciência. As equipas que mudaram de treinador, o que mudaram? No total, todas as que mudaram, e a posição que estavam e o que ganharam? Em termos de posição, porventura, é a mesma. Com a densidade competitiva aqui não há tempo para recuperar, imaginem para treinar. Percebo porque os treinadores cheguem aqui e vão logo embora. É muito difícil competir nestas condições. Em contexto normal é difícil, com a Covid então…»

Para se ter ideia, há precisamente uma semana, dia 11, o Palmeiras foi derrotado no Qatar pelo Al Ahly no encontro de atribuição dos terceiro e quarto lugares do Mundial de Clubes. Desde então já defrontou o Fortaleza (vitória por 3-0) e foi agora derrotado pelo Coritiba (0-1). E o calendário vai continuar assim: dia 20 (sábado) joga com o São Paulo, a 22 com o Atlético Goianiense, 26 com o Atlético Mineiro (última jornada do campeonato), dia 28 a primeira mão da final da Taça, com o Grémio.

«Estava um jogo marcado no dia anterior à primeira final da Taça. Tiveram a coragem de marcar um jogo no dia anterior ao primeiro jogo contra o Grémio. É uma reflexão que vamos ter de fazer e ver o que queremos: hipotecar o presente ou o futuro, pensar bem na organização e definição de uma temporada com Brasileirão, Libertadores, a Taça, sempre com jogos de ida e volta. Se as pessoas gostam disso. Com a quantidade de jogos, não vamos ter férias, mas temos de ver que estamos a competir há quase 13, 14 meses, tivemos jogos uns em cima dos outros. Sei que é cultural, demora, mas as pessoas têm de perceber que se pode melhorar. Não temos de tirar qualquer competição, mas sinto que devo passar a minha opinião, com toda a humildade. Não vim só para estar no Palmeiras. Uma das minhas funções enquanto treinador é deixar o futebol melhor do que encontrei», explicou o treinador português.