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“O Flamengo está excelente. Graças a JJ”

SÃO PAULO –  Olá Paulo Roberto Falcão, o que tem feito nestes tempos de quarentena? Como tem passado o tempo?
– Olhe, agora mesmo estava a assistir a um jogo de ténis entre o Guga [Gustavo Kuerten] e o Agassi, no Masters de Lisboa de 2000, que estão a repetir na TV. Que jogaço. Antes fiz os alongamentos que devo fazer durante o isolamento. E antes ainda li o segundo livro do Guardiola. Li o do Mourinho, o do Ancelotti, o do Agassi. De resto, tenho ensaiado treinos, nível de intensidade no jogo e visto jogos. Na quarentena estão a passar uns bons jogos antigos, não acha?

– Sem dúvida. Tem ideia de voltar ao trabalho no Brasil ou fora?
– Eu não tenho fronteiras. O importante é ter o mínimo de tranquilidade para trabalhar. No Brasil não há. Os gestores contratam treinadores sem convicção, entende? E depois despedem com facilidade. Não se pode pensar apenas em ganhar por ganhar, o ganhar tem de vir depois da performance, do jogar bem, caso contrário é ganhar sem consistência. Li, aliás, uma entrevista recente do Klopp a dizer que em meses não se constrói uma grande equipa. É preciso anos, diz ele, que teve sucesso, com tempo, na Alemanha e agora no Liverpool.

Falou em Klopp mas sei que a sua principal referência é Guardiola.
– O Klopp, o Guardiola… Pode jogar-se bem e ganhar independentemente do esquema. O Klopp joga claramente num 4x3x3, com a defesa alta, a defesa muito alta mesmo, já perto do meio-campo, e com os avançados lá muito na frente porque ele quer o golo, e quanto mais perto estiver da baliza adversária mais perto estará do golo. A defender, passa a um 4x5x1. O essencial do jogo dele é a intensidade, não tanto a posse, como no pensamento do Guardiola. Ou seja, há formas diferentes de se vencer.

– E o Flamengo de Jorge Jesus?
– O Flamengo está excelente, mérito de Jorge Jesus, é uma equipa compacta, apenas com um homem de marcação no meio-campo, o Willian Arão, que, ainda assim, também constrói. Depois há o Gerson, há o Everton Ribeiro, há o De Arrascaeta, há o Gabigol, há o Bruno Henrique, todos bons e dribladores, e a equipa fica compacta no ataque.

 Ficou famosa uma frase no Brasil que diz que «os jogadores de futebol morrem duas vezes, quando se retiram e quando morrem mesmo». Conhece o autor?
– Sim [risos]. Fui eu.