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Venceram mais vezes a Champions que o campeonato nacional

Hoje, o Leicester City representa o maior conto de fadas do futebol Mundial. Uma equipa que habitualmente luta para não descer e que ainda há dois anos estava na segunda divisão, está muito perto de conquistar a Premier League.

Há décadas atrás, uma história ainda mais espectacular aconteceu em terras de sua Majestade. O Nottingham Forest passou de um clube de segunda divisão a bicampeão europeu.

Em apenas três anos, de 1977 a 1980, foram sete as conquistas, três títulos continentais e quatro nacionais.

Como tudo isto foi possível?

Um carismático treinador chamado Brian Clough mostrou que não os grandes nomes que fazem uma equipa, mas sim a união, força e coragem.

Em meados dos anos 70, o clube nunca tinha conquistado qualquer campeonato inglês, nem muito menos participado numa competição europeia. Foi então que Clough pegou na equipa, perante a desconfiança generalizada dos adeptos por ter orientado o grande rival, o Derby County, onde teve enorme sucesso, tendo conquistado, inclusive, um campeonato inglês surpreendente. Conseguiu levar o clube de regresso a principal liga inglesa, mas já muitos consideravam que dificilmente o clube iria estabilizar-se como um clube de primeira divisão, mas ele conseguiu muito mais que isso.

Na época 1977/1978, o grupo coeso de Clough tornou-se numa das pouquíssimas equipas europeias a conquistar uma Liga, um ano depois de subir de divisão. Os grandes candidatos ao título como o Arsenal, Liverpool e Manchester United ficaram surpreendidos e chocados com a ascenção do Nottingham. Um dos destaques da caminhada para o título é garantidamente a goleada imposta ao Manchester United, em Old Trafford, por quatro bolas a zero. Clough ainda conseguiria ganhar a Taça da Liga Inglesa e a Supertaça de Inglaterra.

No ano seguinte, a perspetiva seria de ganhar experiência na primeira participação na Taça dos Campeões Europeus. Porém, logo na primeira eliminatória defrontaram o Liverpool, bicampeão Europeu, e conseguiram eliminar a poderosa equipa de Bob Paisley que detinha a hegemonia do futebol europeu. Na segunda fase defrontaram o AEK de Atenas, que na eliminatória anterior goleou o FC Porto por 6-1, e impuseram o seu futebol para triunfar nas duas mãos. Na ronda seguinte, “despacharam” o Grasshopper, da Suíça. O grande teste chegava nas meias-finais com o Colónia da Alemanha. Na primeira mão, empataram a três bolas em casa e a missão para chegar a final obrigava necessariamente uma vitória em terra germânicas. Na segunda parte, um gol de Bowyer garantiu o que parecia impossível – uma final da Taça dos Campeões Europeus para um clube “pequenino”.

Clough sentia que precisava de uma estrela internacional para puder conquistar a Taça dos Campeões Europeus e conseguiu convencer a direção a gastar um milhão de libras na contratação do avançado Trevor Francis, do Birmingham City. Devido as regras da UEFA, só o puderam utilizar passados três meses, felizmente a tempo da grande final. E foi precisamente um golo de Trevor Francis que garantiu a vitória história perante o Malmö, da Suécia.

A fantástica campanha europeia acabou por ser paga no campeonato inglês, onde não conseguiram revalidar o título, mas o que isso interessava? O clube era o novo Rei da Europa!

Em 1979, voltaram a fazer história ao derrotar o Barcelona na Supertaça Europeia, após vencer por 1-0 o primeiro jogo, e empatar a uma bola em Camp Nou na segunda mão.

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